Não me lembro se vi esta teoria em algum lugar ou se é coisa da minha
cabeça, mas acredito que todo ser humano possui pelo menos três imagens.
A primeira creio que seja a imagem que ele tem de si próprio,
fundamentada através de sua autocrítica.
Depois a imagem que as pessoas têm de você, construída através dos
sinais que você emite e pelos filtros de quem recebe esta mensagem possui.
E por fim a imagem real, sem reflexo. Aquilo que a gente realmente É.
Ademais, estas percepções diferentes influenciam na formatação uma da
outra.
Também acredito que quanto mais a pessoa conhece sobre si mesma, maior a
chance dos reflexos destas três distintas imagens serem parecidos entre si.
A forma e a intensidade do contato entre as pessoas vão alterando a
impressão que se tem uma sobre a outra. Analogicamente quanto maior o contato, maior a fidelidade da imagem refletida à realidade.
As vezes nos identificamos com as imagens de algumas pessoas, mas à distância o reflexo pode não ser tão nítido. Aproximar-se se faz necessário para entender se as imagens idealizadas em teoria, correspondem na prática.
Os meios de contato têm mudado bastante
com as novas tecnologias, criando intimidades que não existem, ou que antes não
existiam.
Observo que na economia de mercado de massa na qual vivemos, vem ocorrendo
uma pasteurização das imagens individuais.
Formadores de opinião ditam (de ditadura mesmo) a imagem ideal, que
passa pelas medidas do corpo, pelo cabelo moicano, pela roupa da tendência,
pela música da moda, e qualquer tipo de produto que possa ser associado a esta
imagem que deve ser celebrada (de celebridade) como referência.
Esta padronização é claro leva à alienação. Os que são absorvidos por
esta comunicação acabam nivelados por baixo e paradoxalmente permanecem
flutuando na superfície, sem se aprofundar em nada.
Não é raro vermos multidões repetindo em coro refrões que são um
amontoado de sílabas repetidas que não dizem nada.
A título de diversão não haveria problema algum, mas muitos fazem destas
músicas do momento mantras de conduta pessoal.
Particularmente, durante muito tempo andei emitindo uma imagem diferente
da que eu sou, ou ao menos gostaria de ser. Creio que por defesa, e na maioria
das vezes de forma inconsciente.
Tenho trabalhado nisso. Este esforço de autoconhecimento tem sido como
uma bússola para encontrar o caminho onde estas três imagens, meu ego e meu
alter ego, trafeguem juntos.
Muitas vezes o ponteiro é impreciso e o caminho a seguir se torna
confuso. Mas tenho fé que mesmo com um percurso que venha a ser mais longo,
devo persistir até o destino.
E você, que imagem tem de si próprio?
Reflita!!!


