Por vários anos eu critiquei quem perdia mais tempo tentando entender a
vida do que a vivendo.
Frase que eu repetia como um mantra: A
vida foi feita para ser vivida e não entendida! E quase sempre fechava com
um Carpe Diem!
E vivi de forma intensa... Intensamente superficial...
Não que tenha sido ruim, pelo contrário... foi muito bom.
Mas acredito que a vida neste aspecto seja como o paladar. Com o passar
dos anos o gostinho do chiclete e o sabor do catchup vão perdendo espaço para o
que é mais denso e encorpado.
Hoje, o que é profundo me atrai muito mais que o raso e rasteiro...
Mas reconheço que a vida na superfície é bem mais fácil. As coisas já
vêm prontas, como no supermercado, mas em geral também são descartáveis.
Mas nem por isso deixam de ser divertidas, aliás, creio que são muito
mais divertidas que filosofia, estudos comportamentais e afins...
Quando se busca o autoconhecimento, procurando encontrar e ouvir sua
essência, você se depara com suas feridas e angústias, tendo a oportunidade de
curá-las.
Algumas feridas não precisam nem de curativo. Para outras o tratamento é
mais lento... Em alguns casos o tratamento é desconhecido...
Deepak Chopra tem uma frase: “Nenhum problema pode ser solucionado no
mesmo nível de consciência em que foi criado.”
Ao longo da vida, desde a primeira infância, vivemos situações que podem
gerar traumas, pequenos ou grandes, e isto vai moldando nosso comportamento.
Muitas destas situações se instalam em nosso inconsciente, e mesmo tendo a noção exata do problema, conscientemente não encontramos a
solução.
Pessoas se descobrem com medo de altura, medo de escuro, medo de algum
bicho inofensivo, medo de certo tipo de pessoa, e uma infinidade de
possibilidades de medo que a vida pode incutir, se você permitir.
Mas o fato de reconhecer o problema, que pode ser o medo ou a dificuldade
de tratar ou se relacionar com alguma coisa, não quer dizer que você encontrou
a solução. As emoções, nestes casos não boas, fogem à razão.
Conheci este ano a Programação Neurolinguística (PNL), que mesmo ainda
em nível inicial já produz alguns efeitos. Ao trabalhar intensamente suas
emoções, a PNL possibilita você trazer suas feridas do inconsciente para o consciente,
e tratá-las.
Mas como as mudanças são profundas, é como que se você revirasse as
partículas do fundo do mar, ou um pote cheio d’água com alguma quantidade de
areia no fundo, é necessário um tempo para as coisas se assentarem. Às vezes os
detritos em suspensão prejudicam a visibilidade. Um pouco de paciência para que tudo volte a ficar cristalino...
O que parece inércia podem ser introspecção e quietude.
Creio que o mergulho dentro de si buscando sua essência é um caminho sem
volta. Como no mar, quanto mais fundo se vai, mais se descobre, maiores são as
surpresas. Porém o risco também aumenta. Quanto mais fundo, maior a necessidade
de orientação e preparação.
Aliás, o mergulho de cilindro é uma ótima atividade para quem está
nesta busca. A adrenalina inicial dá espaço a uma grande sensação de paz e
liberdade. Quando no fundo do mar você contempla as belezas de um mundo
completamente diferente do da superfície, respeitando os nativos naquele
ambiente, onde nós somos os intrusos, ouvindo apenas o som da respiração.
Ao olhar para o fundo,
mistérios. Para cima, LUZ.
Excelente seu texto!! Descreve com perfeição o mistério que ronda aquele que busca.
ResponderExcluirParabéns Alexandre!!
"Ao olhar para o fundo, mistérios. Para cima, LUZ"
Mais uma vez obrigado!
ResponderExcluirSeu feedback é muito importante para mim!
Beijos!