terça-feira, 10 de julho de 2012

Mergulhe fundo!



Por vários anos eu critiquei quem perdia mais tempo tentando entender a vida do que a vivendo.
Frase que eu repetia como um mantra: A vida foi feita para ser vivida e não entendida! E quase sempre fechava com um Carpe Diem!
E vivi de forma intensa... Intensamente superficial...
Não que tenha sido ruim, pelo contrário... foi muito bom.
Mas acredito que a vida neste aspecto seja como o paladar. Com o passar dos anos o gostinho do chiclete e o sabor do catchup vão perdendo espaço para o que é mais denso e encorpado.
Hoje, o que é profundo me atrai muito mais que o raso e rasteiro...
Mas reconheço que a vida na superfície é bem mais fácil. As coisas já vêm prontas, como no supermercado, mas em geral também são descartáveis.
Mas nem por isso deixam de ser divertidas, aliás, creio que são muito mais divertidas que filosofia, estudos comportamentais e afins...
Quando se busca o autoconhecimento, procurando encontrar e ouvir sua essência, você se depara com suas feridas e angústias, tendo a oportunidade de curá-las.
Algumas feridas não precisam nem de curativo. Para outras o tratamento é mais lento... Em alguns casos o tratamento é desconhecido...
Deepak Chopra tem uma frase: “Nenhum problema pode ser solucionado no mesmo nível de consciência em que foi criado.”
Ao longo da vida, desde a primeira infância, vivemos situações que podem gerar traumas, pequenos ou grandes, e isto vai moldando nosso comportamento.
Muitas destas situações se instalam em nosso inconsciente, e mesmo tendo a noção exata do problema, conscientemente não encontramos a solução.
Pessoas se descobrem com medo de altura, medo de escuro, medo de algum bicho inofensivo, medo de certo tipo de pessoa, e uma infinidade de possibilidades de medo que a vida pode incutir, se você permitir.
Mas o fato de reconhecer o problema, que pode ser o medo ou a dificuldade de tratar ou se relacionar com alguma coisa, não quer dizer que você encontrou a solução. As emoções, nestes casos não boas, fogem à razão.
Conheci este ano a Programação Neurolinguística (PNL), que mesmo ainda em nível inicial já produz alguns efeitos. Ao trabalhar intensamente suas emoções, a PNL possibilita você trazer suas feridas do inconsciente para o consciente, e tratá-las.
Mas como as mudanças são profundas, é como que se você revirasse as partículas do fundo do mar, ou um pote cheio d’água com alguma quantidade de areia no fundo, é necessário um tempo para as coisas se assentarem. Às vezes os detritos em suspensão prejudicam a visibilidade. Um pouco de paciência para que tudo volte a ficar cristalino...
O que parece inércia podem ser introspecção e quietude.
Creio que o mergulho dentro de si buscando sua essência é um caminho sem volta. Como no mar, quanto mais fundo se vai, mais se descobre, maiores são as surpresas. Porém o risco também aumenta. Quanto mais fundo, maior a necessidade de orientação e preparação.
Aliás, o mergulho de cilindro é uma ótima atividade para quem está nesta busca. A adrenalina inicial dá espaço a uma grande sensação de paz e liberdade. Quando no fundo do mar você contempla as belezas de um mundo completamente diferente do da superfície, respeitando os nativos naquele ambiente, onde nós somos os intrusos, ouvindo apenas o som da respiração.
Ao olhar para o fundo, mistérios. Para cima, LUZ.

2 comentários:

  1. Excelente seu texto!! Descreve com perfeição o mistério que ronda aquele que busca.
    Parabéns Alexandre!!

    "Ao olhar para o fundo, mistérios. Para cima, LUZ"

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  2. Mais uma vez obrigado!
    Seu feedback é muito importante para mim!
    Beijos!

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