Este blog superou qualquer expectativa, que não era muita, já que a
bendita é a mãe da frustração como já vimos aqui...
Pude me abrir, me conhecer melhor, e receber em troca muito material que
me está ajudando neste caminho de autoconhecimento, além de carinhosos
feedbacks que guardarei com amor...
Mas agora a vida me coloca de frente com decisões importantes, que vão
me fazer vivenciar o que abordei aqui em teoria.
Surgiu um convite irrecusável para levar as lojas com as quais eu
trabalho no estado do Paraná para o estado de São Paulo.
A decisão de aceitar esta proposta desencadeou uma série de outras tão
ou mais importantes.
Não quero fazer deste blog um diário, mas acho necessário expor pela
primeira vez minha vida pessoal, com o devido cuidado de um texto para
internet.
Um desafio deste tamanho exige que eu esteja mais presente na operação,
o que me fará mudar de estado junto com as empresas.
Mas uma coisa vital me segura onde estou hoje: MINHA FILHA.
Só tem uma maneira de levá-la comigo. Trazendo consigo a sua mãe.
E como fazer isso?
Quebrando paradigmas...
A convidei para trabalhar comigo.
Mais além... na gestão financeira do negócio.
Ela não tem perfil comercial, mas pode desempenhar um bom papel na área
administrativa.
Para a nossa
alegria, ela aceitou o convite.
Nos dez textos publicados aqui até o momento, tentei entender em boa
parte deles a dinâmica das relações interpessoais em variados níveis.
Creio que, em geral, uma das formas de relacionamento mais complexa seja
entre “ex” alguma coisa. Ex-marido, ex-mulher, ex-namorados, ex-paquera, ex-amigos...
É a sequência da relação do que um dia já foi algo importante...
Já estamos há sete anos separados, e este tempo serviu para dar a devida
dimensão das coisas, em paralelo ao amadurecimento da relação e dos envolvidos.
O início da separação é bastante complicado. Questões como partilha,
pensões e principalmente guarda de filhos são muito indigestas, e os refluxos
são inevitáveis.
Mas existem dois caminhos para se encarar uma separação.
Escolhemos o melhor, o feliz.
Hoje temos uma amizade que não tínhamos quando casados, e tampouco
quando namorados. A consciência de que pai e mãe possuem vínculos eternos.
Nós dois já tivemos outras relações, ao que ouso chamar estáveis, após a
separação, e em meio a estas alguns “remembers”.
Mas há anos temos a noção do que nos aproxima e do que nos afasta, e
sabemos o que esperar um do outro.
Não acompanho a vida pessoal dela de perto, mas creio que estamos
solteiros há um bom tempo, e este desimpedimento não foi motivo para a
reaproximação do casal, embora o convívio seja muito próximo e praticamente
diário.
Almoçamos juntos quase todos os dias. Eu, ela e minha filha.
Um ritual familiar importante que me esforço para preservar, e que o
fato de ainda não termos constituído outras famílias em paralelo permite-nos
manter.
Mas sei que trabalharmos juntos, envolvendo uma mudança de cidade é uma
quebra de paradigma importante.
Talvez por isso a decisão de expor isto aqui no blog.
É um paradigma social inclusive para nós envolvidos. A perguntei se ela envolveria-se
com algum homem que trabalhasse com a ex-mulher. A reação foi cômica. E vi no
rosto dela a interrogação que provavelmente estava espelhada no meu.
No primeiro momento confesso que teria alguma dificuldade em aceitar
esta possibilidade, até ao menos conhecer todos os envolvidos e sobretudo
sentir a energia.
Mas sei que esta relação profissional entre nós é transitória.
Ela tem outros planos para a carreira que está em fase inicial, da qual
faço votos de sucesso.
Mas os “acasos” nos permitem viver esta mudança agora. Os momentos
pessoais e profissionais de ambos nos possibilitam esta decisão. E se no
futuro, profissionalmente ou pessoalmente, fatos nos levarem a mudar esta
relação de trabalho, espero que seja após a consolidação da operação
administrativa e comercial da empresa em outro estado, e fundamentalmente após
a adaptação de nossa filha.
O que ela vai receber de salário, somado ao que recebe de pensão,
possibilitará que alugue um lugar confortável para viver com nossa filha, ou
talvez financie um imóvel próprio, que no futuro será patrimônio de nossa
herdeira. Se quiser, poderá financiar um carro.
Também contará com o plano de saúde que concedo aos funcionários da
empresa, e fico feliz em dar esta segurança por quem minha filha tem um amor na
mesma intensidade do que tem por mim, mesmo que o expresse de forma diferente.
Conversamos que a troca de energia é mais intensa comigo do que com ela, mas
acho que isto é natural na relação PAI e
FILHA.
Vamos ter a chance de recomeçar nossas vidas em uma cidade onde as
oportunidades são maiores para todos, inclusive para nossa filha, notadamente
nas questões de ensino e entretenimento.
Embora geograficamente outras cidades fossem mais interessantes para a
mudança no aspecto comercial, escolhi uma em que minha filha fique mais próxima
dos primos, tios e avós.
Não gosto de fugir de minhas responsabilidades e decisões importantes
têm nos acompanhado ao longo destes anos.
Foi a decisão de não interromper a gravidez inesperada após poucos meses
de namoro, ela então com 16 anos e eu com 26. O fato de não cogitar a
possibilidade não deixa de ser uma decisão.
A importante decisão pelo casamento, numa situação onde o pai dela não
morava no país e minha presença mais próxima era importante.
A difícil decisão da separação, um ano e meio após o casamento.
Não gosto da inércia. De deixar que a vida me leve, e junto comigo quem
eu gosto, para o caminho da infelicidade.
Prefiro ser o autor da minha história.
Espero que o final seja feliz. Ou melhor, que seja toda ela predominantemente
feliz.
Por tudo isto terei que dar um tempo aqui no blog...
Minha dedicação a este processo profissional e pessoal deverá ser total
e me entregarei de vísceras a isto.
Estou preparando minha equipe, que já é excelente, para me ajudar neste
processo.
Tenho consciência de que não será fácil, talvez o movimento mais difícil
que fizemos até hoje, mas sei que nunca estivemos tão preparados.
E por enquanto não quero perder este foco...
Este processo continuará ajudando na construção do ser humano. Agora é a
hora de praticar o que tenho escrito aqui. E agir para que minha vida me venha
em poesia.
Quero aproveitar para agradecer tudo que este blog me trouxe, a todas
pessoas que contribuíram de alguma forma, me aconselhando, me corrigindo, me
criticando...
Queria nominar duas, para através delas, chegar às demais. Flávia, que
inspirou e incentivou este projeto, e Gi, a quem peço desculpas por alguma
exposição que a incomode.
Também não quero perder contato com minhas raízes. É fundamental para
mim manter os vínculos familiares e de amizades que tenho em minha cidade
natal. Ontem tivemos a primeira reunião do Empreendendo, uma ONG que completará
algo que ainda me falta e me fará voltar com frequência.
Em breve espero estar escrevendo aqui de novo.
Sob nova direção...
Antes que a morte...

Alexandre, a vida tem seu jeito peculiar de nos levar para onde precisamos ir. Fácil seria se tods nós conseguissemos ouvir a voz interior para ter coragem de fazer mudanças em nossas vidas. Boa prática; a sorte, com certeza, o acompanha.
ResponderExcluirMuitíssimo obrigado Flávia!
ResponderExcluirTenho para mim que Deus tem um senso de humor muito apurado...