Fronteira s.f. 1) Limite; divisa. 2) Raia, marco, baliza. 3) EXTREMO.
Definições a parte, nos deparamos com fronteiras a cada momento da nossa vida. Vezes sucumbindo a ela, vezes a ultrapassando.
Creio que as mais difíceis de transpor são as subjetivas, as subliminares, as imaginárias...
As fronteiras quando concretas nos permitem avaliar exatamente o tamanho do desafio. Com isso podemos nos planejar adequadamente para enfrentá-las, e decidir se vale a pena o esforço.
Quando imaginárias, as fronteiras podem ser impostas pela sociedade, delimitando o modo de se vestir, a forma de se comportar, entre outras amarras invisíveis que visam a priori, manter o bom convívio entre as pessoas.
Estas correntes intangíveis mudam de uma comunidade para outra, que cercadas cada uma por suas fronteiras concretas, criam dentro dos próprios limites, regras intrínsecas que devem ser seguidas.
Mas gostaria de me aprofundar nas fronteiras de cada indivíduo.
São nossos limites pessoais que nos moldam, e que fazem a interface na relação com as outras pessoas.
Muitas vezes criamos barreiras psicológicas que nos bloqueiam e muitas vezes nos afastam de quem queríamos por perto.
Na Psicologia da Administração conhecemos a pirâmide de Maslow, onde o ser humano deve satisfazer uma hierarquia de necessidades, começando pelas mais básicas que são as fisiológicas, passando pelas de segurança, aceitação social, auto-estima, até chegar ao topo, que é a auto-realização, quando ele busca conhecer e enfrentar os seus limites.
É comprovado que nem todos chegam ao topo, param no meio do processo. Podendo estar satisfeitos com apenas parte de suas necessidades saciadas, ou não estando preparados o suficiente pra continuar o desafio.
Como saciar a necessidade de auto-realização é buscar ultrapassar seus limites, aos que não a alcançam, resta viver dentro dessa clausura psicológica, que pra muitos pode ser confortável.
E o que define nossos limites?
Não tenho autoridade pra isso, mas nesse ensaio de autoconhecimento, me arrisco a dizer que o ambiente onde fomos criados é um grande fator, bem como alguma herança genética, e as experiências que a vida nos traz. Nossas alegrias e realizações nos trazem confiança. Nossos traumas funcionam como uma cancela obstruindo a passagem, e pra muitos é dificílimo encontrar o botão que a faça abrir caminho.
Com isso ficamos reclusos em nosso universo particular, caminhando em círculos com nossas neuroses.
Paradoxalmente, o autoconhecimento é um caminho que leva pra dentro, pro interior, ao início, em direção à nascente do rio, que às vezes insiste em não fluir.
E como essa busca interior é um caminho sem fim, este centro de gravidade do indivíduo, responsável pelo equilíbrio da alma, pode ser um poço sem fundo, um buraco negro que suga toda a energia, se o processo não for bem conduzido.
E como expandir nossos limites?
Primeiramente, sabendo administrar a própria energia. Procurando a manter em níveis ótimos, o que levará ao equilíbrio e a harmonia. Em seguida trabalhando a forma como essa energia se relaciona com a energia dos outros seres vivos, encontrando vidas que possam nessa troca, contribuir para o crescimento mútuo.
E o ápice dessa construção é quando existe o encontro com a parte onde o reflexo é perfeito. A soma das partes se torna maior que o todo, como no conceito yin yang.
Nesses casos, creio que é possível transcender. Gerar uma luz tão forte que não produz sombra.
Desbravar novos horizontes também expande os limites da alma.
Considero-me abençoado por conquistas pessoais e profissionais terem me levado, praticamente sem custo financeiro pra mim, em um intervalo menor que dois anos, para África e Índia. Foi muito rico ter contato direto com os legados de Mandela, Gandhi e Vivekananda. Este último, e não menos importante, só conheci após a chegada na Ásia.
Soma-se a estas, outra viagem prêmio para a Alemanha em 2007. Pude ver um país onde um muro fez fronteira onde antes não existia, e tanto tempo depois de sua queda, ainda são claros os contrastes entre os dois lados.
Que os bons ventos continuem soprando e me levando a lugares como México e Machu Pichu no Peru com suas antigas civilizações, à Grécia e seus filósofos, à Itália e seus gladiadores, ao Egito e suas esfinges, ao Japão e seus samurais, à China e seus mistérios, e de volta à Índia, onde esse ciclo de busca começou e sinto que pra lá deve retornar. Quando estava lá, nos momentos de saudade e de incompreensão das grandes diferenças culturais, eu olhava para o céu noturno.
A escuridão escondia os enormes contrastes em solo, e então eu observava que o mesmo céu cobre a todos nós. Pensava que a mesma lua que nos iluminava refletida no Oceano Índico, em questão de horas, estaria iluminando aos meus queridos no Brasil.
Vivemos numa grande aldeia global, onde as fronteiras dividiram os povos que desenvolveram seu mundo particular, fundado em crenças e costumes próprios.
Hoje os meios de comunicação permitem encurtar distâncias, fazer e manter vínculos onde antes era inimaginável. Havendo o intercâmbio de culturas, e não raro, ruindo com algumas fronteiras.
Mas em alguns casos, ao se delimitar algo, você pode estar concedendo energia ao mesmo. Exemplo disso são as MANDALAS, pois ao se colocar uma linha circular ao redor de um desenho simétrico, muitos acreditam que ali pode estar uma fonte absorvendo e emitindo energia.
Como o autoconhecimento é um caminho em direção ao interior, pra que se busque e encontre uma energia que deverá se enviada ao exterior, é preciso organizar esse fluxo de coisas que fluem em direções opostas.
Logo devemos ir aos EXTREMOS, pra que conheçamos o meio. O ponto de equilíbrio.