sábado, 25 de fevereiro de 2012

Curta a Viagem



O caminho do autoconhecimento é longo, muito longo, isto se é que existe algum ponto final. Mas então qual louco entraria numa viagem dessas, sem fim?
Se nos dicionários a maioria das definições pra louco converge para alguém com comportamentos fora do padrão definido pela sociedade, dê meu passaporte que quero fazer parte dessa MASSA CRÍTICA.
A meu ver, na maioria das jornadas não importa o destino, mas a estrada a ser percorrida, e como o percurso é feito...
A saudação híndi Namastê significa, o Deus que habita em mim, saúda o Deus que habita em você. Usando um pouco dos conceitos de lógica, se esta afirmação indiana for verdadeira, logo, ao buscar conhecimento interior, estou buscando conhecer o meu Deus.
Neste prisma o caminho fica ainda mais complexo, pois pra alguns esta bifurcação poderá levar a dois destinos diferentes, pra outros há uma intersecção onde eles se encontram, e pra muitos as encruzilhadas levam a andar em círculos. E ao não se conhecer, se distanciar ainda mais de Deus.
O que tenho pedido em minhas orações, é que eu não me perca querendo me encontrar.
Mas enquanto não há chegada, vou aproveitando a viagem, e dêem os leitores o significado que quiserem à palavra “viagem”.
Como o caminho é longo, nos momentos de cansaço por que não parar pra beber água de mina, tomar caldo de cana, comer uma fruta fresca, se possível colhida do pé, relaxar, ver o sol atravessando as nuvens, ou a lua rodeada de estrelas e apenas respirar...
Ligar o som no máximo, pisar fundo no acelerador pra que a adrenalina suba com a velocidade, mas que não seja tão rápido a ponto de não poder curtir as paisagens, inclusive as mais bucólicas.
Uma frase que ouvi com frequência no período que estive na Índia foi “A expectativa é a mãe da frustração”. Quando queremos chegar num destino, muitas vezes a ansiedade em conhecer ou revisitar um determinado ponto, impede que apreciemos o caminho. Pior quando a expectativa sobrepõe à realidade, e o idealizado era mais belo que o real, fazendo do local escolhido  pior que o esperado.
Talvez essa distorção entre o que está no imaginário e a realidade é que tenha feito Deus nunca ter se mostrado fisicamente. Muitas crenças dizem que ele mandou representantes diretos, inclusive filhos, mas Ele mesmo, ninguém ousou dizer que viu. Existem visões de santos, seres interplanetários, folclóricos, mas Deus mesmo, até agora nenhum louco disse ter visto... Imagina Deus não correspondendo às expectativas? Provavelmente as dos mais fanáticos sim...
Por que o importante não é o destino, no caso conhecer Deus, mas sim o caminho a ser percorrido.
Ao buscar o autoconhecimento, automaticamente nos aproximamos de Deus, e este é um percurso diário, feito passo a passo, continuamente. E tenho tido muita sorte em ter pessoas boas ao meu lado, de mãos dadas.
Aos que estão esperando o melhor momento pra iniciar este processo, tenho algo a dizer: Não espere a chuva passar, entre nela! Sinta! Cheire! Beba! Existe água mais limpa do que a vinda do céu?
Se for verdade que encontraremos Deus após a passagem por essa vida, mais uma vez usando conceitos de lógica, logo o caminho a ser percorrido pra esse encontro divino é a vida.
Então, Carpe Diem! Aproveite o dia! Aproveite a vida!
Esta semana perdi minha avó de 94 anos. No mesmo dia uma amiga de faculdade perdeu o filho ainda criança. Isso mostra que este caminho tem várias distâncias. O que precisamos é curtir essa viagem com quem está no mesmo barco, no mesmo carro, na mesma casa, na mesma cama...
Pra que quando esse companheiro de jornada querido se for, a sensação de que tudo foi vivido intensamente seja maior que a saudade, maior que a frustração da palavra não dita e maior que o carinho não realizado.
Curta a viagem, pois ela é curta!

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